PROJETO ÁGUA DE CHUVA

Problemas existem. Faz parte do que significa viver. Quando um problema é consigo, há basicamente duas alternativas: reclamar da vida e ficar inerte, ou arregaçar as mangas e ir atrás de uma solução.

 

Mas existem também aqueles problemas maiores. Eles não estão diretamente conectados a você, mas impactam várias pessoas. Nesses casos, também existem essencialmente duas opções de atitudes: se indignar porque, naturalmente e na maioria das vezes, há um (ou uns) culpado para a situação, ou você pode tomar a iniciativa e fazer algo a respeito.

 

Bem… Problemas existem. Faz parte do que significa viver. Mas você vai fazer o quê?

Márcia e Renata Pinheiro, mãe e filha, olharam para o longo período de seca pelo qual passa o Ceará e escolheram a segunda opção: agir.

 

A sementinha foi plantada ainda nos idos de 2014. Durante às visitas mensais à mãe em Milhã, lá depois de Senador Pompeu, Márcia começou a observar a seca se agravando gradativamente. “Eu tinha vontade de fazer alguma coisa. Então pensei: ‘já que sou artista plástica, tenho que fazer algo através da arte’. E tive a ideia de fazer as dez esculturas de vacas magras – feitas em resina e fibra de vidro – e espalhar pela cidade”.

 

A intervenção urbana Vacas Magras rodou Fortaleza e região metropolitana durante três anos: primeiro em órgãos públicos e depois em postos de combustível. “A primeira intenção era conscientizar, sensibilizar e motivar as pessoas a terem novas iniciativas – inclusive à economia do consumo de água. E acho que consegui, pois a cidade inteira visualizou essas vacas. É impressionante”.

Em meados de 2016, surgiu a vontade de fazer algo agora para amenizar o problema. Aí veio a ideia do projeto Água de Chuva, ação co-fundada ao lado da filha, Renata, que visa a mobilização da sociedade para promover ações que atenuem impacto causado pela estiagem prolongada, bem como “estudar soluções mais efetivas para o problema e proporcionar um convívio mais digno com essa realidade para as comunidades rurais”.

 

“A ideia era ter um espaço onde a gente apresentasse o problema, trouxesse a situação e chamasse atenção num shopping com um fluxo grande de pessoas, das quais muitas não têm acesso a essa realidade ou, simplesmente, que não a tem dentro do convívio”.

 

Uma das soluções encontradas foi a abertura de um espaço onde pudessem ser comercializados produtos que teriam a renda revertida para as ações do projeto: o mapeamento dos poços profundos existentes no Ceará, a ativação de 20 desses poços acompanhada de um estudo de impacto nas comunidades beneficiadas.

 

“O projeto é o responsável pela efetivação, de chegar na comunidade, ativar, acompanhar. Tudo passa pela a gente e a verba vai ser toda destinada a isso”.

 

 

Uma das formas de arrecadação do projeto é através da venda de camisas no espaço Projeto Água de Chuva, no Shopping RioMar Fortaleza. “Vinculamos a ação à moda, a diferentes trabalhos de bordados e estampas, e valorizar as marcas locais que a gente tem”. Ao todo, dez marcas colaboraram com o projeto – Pena, Rio de Jas, Alix Pinho, DLT, Produção, Urb Store, TM brand, T-SHIRT IN BOX, Joiola e VidaBr – o que resultou em 20 produtos exclusivos.

 

“Além das marcas, a gente pensou também no Projeto Tejucactos, que é uma associação comunitária de Tejuçuoca que foi capacitada pela UFC e que conhecemos durante essas visitas ao interior para fazer o mapeamento dos poços profundos. Vimos essa comunidade e decidimos trazer mudas de suculentas e cactus para vender aqui na loja com a renda revertida”.

 

A lojinha, que foi aberta em dezembro, funcionará até o dia 31 de janeiro. Em fevereiro, o foco será a conclusão dos estudos de mapeamento, seguido da ativação dos poços e, finalmente, o estudo de impacto social.

 

A água da chuva

E muito se engana quem acha que mãe e filha não recebem nada com o projeto. A recompensa vem em forma de histórias vistas e ouvidas. “Uma coisa que eu me surpreendi foi que, quando coloquei as vaquinhas aqui, as crianças fizeram a maior festa. Avós e pais os trazem e pedem que a gente explique o problema pra eles, que os eduque”.

 

Outras gratificações vêm em forma de troca de experiências, de pessoas que também quiseram fazer a diferença, como um grupo de uma igreja que foi para o interior do estado com caminhões para abastecer algumas cisternas. Até que “chegaram num local que não tinha acesso e o caminhão não conseguia descer. Então eles encheram baldes e fizeram uma fila de pessoas que iam passando os baldes de pessoa em pessoa até encher à cisterna”.

 

Mas depois de tudo isso dito, uma dúvida ficou: se o projeto trata da ativação de poços, porque o nome “água de chuva”, o algo que falta na seca? “Porque não tem nada que deixe o morador do interior mais feliz do que água de chuva. É sinal de esperança. E é isso que a gente quer passar. Mas não aquela esperança de esperar, mas a que motiva a fazer algo”.

 

 

Serviço

Projeto Água de Chuva

Loja: Piso L2 do Shopping RioMar Fortaleza

projetoaguadechuva.com

@projetoaguadechuva_

/projetoaguadechuva

 

Fonte: Somos Vós

Link: http://www.somosvos.com.br/

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